Preços disparam em Janeiro

Dificuldades para adquirir bens e serviços essenciais aumentaram drasticamente em Janeiro último. Foi um mês de penúria para as famílias. Os preços de produtos alimentares, tabacos, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, foram os mais caros, com aumentos a variarem entre 8,47% e 9,14% no mês passado.

“Em relação à variação homóloga, a cidade de Nampula liderou a tendência de aumento do nível geral de preços com aproximadamente 4,97%, seguida da cidade da Beira com cerca de 4,70% e por último a cidade de Maputo com 3,42%”, mostram as informações recolhidas pelo INE nessas capitais provinciais.

O preço da comida foi o que registou um dos maiores agravamentos, ao subir no geral, quase 10,0%. Já o tabaco ficou cerca de 11% mais caro em Janeiro último. Mesma tendência seguiram as bebidas alcoólicas, com os preços a subirem em cerca de 4,8% no mês passado, se comparado com Janeiro de 2020.

Isso quer dizer que, se um cidadão necessitava de 5.000 meticais para comprar uma certa quantidade de produtos alimentares em Janeiro de 2020, no mês passado (Janeiro de 2021), teve que aumentar 500 meticais nesse valor, ou seja, precisou de 5.500 meticais para adquirir a mesma quantidade de comida.

O exemplo acima é apenas para comida. Se adicionarmos preços de outros produtos essenciais, como de bebidas não alcoólicas, da reabilitação de casas, de compra de mobiliários para casa, de produtos farmacêuticos, a factura fica mais cara ainda e consequentemente a vida torna-se mais difícil.

Indo ao detalhe, para melhor percepção, o preço da roupa e dos sapatos também subiram 3,6% e 3,5%, respectivamente. O que também não poupou o bolso dos cidadãos são os preços dos veículos, entre eles, carros e motorizadas, que viram os seus preços crescerem, no geral, e cerca de 10% em Janeiro último.
Em termos comparativos, dados do INE dos últimos 25 meses mostram que a única subida de preços maior que a registada em Janeiro de 2021, em termos homólogos, foi registada em Janeiro de 2019, quando o custo de vida agravou-se em cerca de 3,7% e a menor foi registada em Setembro do mesmo ano (2,01%).

Em termos mensais, os preços subiram 1,18% de Dezembro de 2020 a Janeiro de 2021. “Destaca-se o aumento dos preços do tomate (12,4%), do coco (18,7%), do peixe seco (5,5%), do óleo alimentar (6,1%), de capulanas (3,3%), do arroz em grão (3,8%) e da couve (11,0%) ”, faz saber o INE no documento.

De Dezembro de 2020 a Janeiro de 2021, cidade da Beira teve a subida de preços mais elevada (2,09%), seguida da Cidade de Nampula (1,13%) e por fim, a Cidade de Maputo (0,87%).

Os dados foram recolhidos nas cidades de Maputo, Beira e Nampula em Janeiro findo pelo INE e a subida generalizada de preços foi calculada com base no Índice de Preços no Consumidor (IPC) Moçambique.

Importa lembrar que o Banco de Moçambique alertou, no mês de Janeiro último que, a médio prazo, o custo de vida poderia agravar-se e justificou o seu posicionamento com a derrapagem do metical, subida exponencial de casos da COVID-19, terrorismo em Cabo Delgado e calamidades naturais.

Foram esses factores que elevam os preços no geral que obrigaram o banco central a subir a taxa de juro de referência de 10.25% para 13.25% em Janeiro.

“Prevê-se uma aceleração da inflação geral no médio prazo, a traduzir os efeitos da repassagem da depreciação do metical para os preços domésticos, do fim da vigência de parte das medidas de contenção de preços decretadas pelo Governo, no âmbito da COVID-19 e dos choques climáticos”, referiu no mês passado o banco central no seu comunicado de imprensa saído do Comité de Política Monetária.

Já em Dezembro do ano passado, os preços de bens e serviços aumentaram 3.52%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Nampula também destacou-se como a cidade mais cara do ano.

No seu relatório financeiro sobre Janeiro último, o Standard Bank mostra que os dados do mês apontaram para um aumento dos preços dos meios de produção, pelo segundo mês consecutivo. Tal aumento veio dar continuidade à subida registada em Dezembro, a primeira em nove meses.

“Não obstante, a inflação diminuiu ligeiramente em relação à verificada no final de 2020. Os dados subjacentes indicaram um aumento dos preços de aquisição mais ligeiro do que o registado no mês anterior e os custos com pessoal diminuíram pela primeira vez desde Setembro passado”, refere o banco.

No fim do ano passado, o Banco de Moçambique previa para 2021 um incremento dos preços domésticos, a reflectir, essencialmente, o efeito do término da vigência de parte das medidas de contenção de preços decretadas pelo Governo, no âmbito da COVID-19 e a tendência para o aumento dos preços dos alimentos no mercado internacional, para além da recuperação gradual da procura por bens e serviços. Ainda assim, a as previsões de aceleração da inflação para o curto e médio prazo situavam-se em menos de 10%.

 

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