ONG diz que saída da Vale torna Moatize numa cidade economicamente fantasma

No geral, a Kuwuka, na voz do seu Presidente, Camilo Nhancale, justifica a antevisão com o facto de o Governo não ter criado condições necessárias para o desenvolvimento do conteúdo local, em Moatize, durante a exploração do carvão mineral pela Vale.

Como consequência dessa fraca dinamização da economia local, Nhancale afirma que as comunidades estão económica e socialmente mais pobres que antes do início da exploração do carvão.

Numa entrevista exclusiva à “Carta”, o Presidente da Kuwuka, que é também activista social, deu a entender que o actual desenvolvimento da cidade de Moatize, o segundo maior centro urbano da província de Tete, mesmo com presença de um mega-projecto, não é dos melhores, desde o contexto económico até social.

Economicamente, o nosso interlocutor anotou haver uma série de empresas “de alguns moçambicanos”, subcontratadas para prestação de serviços, que estão a criar emprego, mas de uma forma global, o entrevistado afirma que o impacto económico das operações da Vale, em Moatize, é mais negativo que positivo.

“Por outro lado, foram criadas muito poucas ligações entre o projecto da Vale com a economia local, por exemplo, para a produção agrícola, pecuária”, disse a fonte. Durante a conversa, Nhancale assinalou, em contrapartida, que a Vale pode ter atraído outras grandes empresas para a cidade de Tete, como por exemplo, os supermercados internacionais para alimentar a massa de trabalhadores da empresa.

Entretanto, “se a empresa vai, tudo aquilo vai abaixo. Isto porque o Governo não foi capaz de dinamizar a economia local ao longo da exploração do minério. Ou seja, com a retirada da Vale, Moatize vai ficar uma cidade fantasma porque toda a actividade que acontece no local está dependente do projecto” sublinhou o activista.

Numa outra vertente, o Presidente da Kuwuka avançou que, socialmente, “as comunidades locais não sentem nenhum benefício da presença da Vale, pelo contrário, as comunidades afectadas estão mais revoltadas do que antes”.

Essas realidades que têm sido recorrentemente reportadas pela imprensa mostram que, de facto, em vez de ajudar a desenvolver, os investimentos estrangeiros, em Moçambique, criam conflitos e, consequentemente, pobreza entre as empresas que injectam o capital e as comunidades em redor dos projectos, conforme assinalou em estudo recente o Instituto de Estudos Sociais e Económicos.

Fonte: Carta de Moçambique

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