ONG contesta “intolerância” contra quem denuncia sofrimento

O Centro de Integridade Pública (CIP), organização não-governamental (ONG), lançou uma petição para contestar a “intolerância” contra figuras que denunciam o sofrimento infligido às populações pela violência armada no norte do país.

No anúncio da iniciativa na sua página na Internet, o CIP avança que pretende reunir cinco mil signatários para denunciar o ambiente negativo criado à volta de pessoas que alertam para a crise humanitária que fustiga populações das zonas atingidas pelos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e os grupos armados que protagonizam ataques na província de Cabo Delgado.

Em concreto, o CIP censura as críticas que o Presidente da República, Filipe Nyusi dirigiu, genericamente, contra “moçambicanos e estrangeiros” que têm reprovado alegados abusos das FDS no conflito armado naquela província.

Durante a visita a Cabo Delgado, no dia 15 deste mês, Filipe Nyusi acusou “aqueles que bem protegidos levam de ânimo leve o sofrimento de quem os protege, incluindo alguns estrangeiros que livremente escolheram viver em Moçambique”.

Para o CIP, o pronunciamento do chefe de Estado não estimula o diálogo franco e aberto.

Aquela organização refere que as declarações de Filipe Nyusi levaram a que comentadores considerados próximos do Presidente da República e da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, acusassem o bispo de Pemba, capital de Cabo Delgado, Luiz Fernando Lisboa, de financiar os grupos armados que movem ataques em Cabo Delgado.

Luiz Fernando Lisboa, um brasileiro, tem levantado a voz para alertar para a crise humanitária que se está a abater sobre as comunidades da província de Cabo Delgado.

Também o Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), organização da sociedade civil moçambicana, criticou duramente os “ataques verbais [de comentadores próximos do partido no poder] contra o bispo de Pemba” e manifestou a sua solidariedade com Luiz Fernando Lisboa.

“Na sua recente visita de trabalho a Cabo Delgado, o Presidente da República lançou críticas veladas aos moçambicanos e estrangeiros que denunciam alguns excessos na atuação das Forças de Defesa e Segurança que combatem o terrorismo nos distritos do norte da província”, lê-se numa nota do CDD.

Na quarta-feira, o Papa Francisco manifestou preocupação com a violência armada em Cabo Delgado, considerando que está a acompanhar a situação das populações afetadas pelas incursões armadas de grupos classificados como terroristas naquela região.

O chefe da Igreja Católica exprimiu a sua inquietação durante uma conversa telefónica com o bispo de Pemba, segundo informação avançada pela diocese da capital provincial de Cabo Delgado em conferência de imprensa.

“Ele disse que está bem próximo do bispo de Pemba e de todo o povo de Cabo Delgado. E que acompanha a situação vivida na nossa província com muita preocupação e que tem rezado por nós”, disse Luiz Fernando Lisboa, acrescentando que o Papa se manifestou aberto a apoiar a província no que for necessário.

A violência armada na província de Cabo Delgado já causou a morte de, pelo menos, 1.059 pessoas em quase três anos, além da destruição de várias infraestruturas.

De acordo com as Nações Unidas, a violência armada levou à fuga de 250.000 pessoas de distritos afetados pela insegurança, mais a norte da província.

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