Obrigação de apresentar teste negativo de COVID-19 dificulta retoma às viagens a RSA

As viagens internacionais ligando Moçambique e países vizinhos, como é o caso da África do Sul, por via rodoviária, ainda não retomaram em pleno em diferentes terminais da Cidade de Maputo, mesmo com a reabertura das fronteiras anunciadas a 1 de Outubro. Os transportadores apontam a obrigatoriedade de apresentar o teste negativo da COVID-19 como obstáculo.

Bakwena Suping é cidadã sul-africana. Está no terminal da Junta, na Cidade de Maputo, na companhia do seu filho menor. Ambos pretendem regressar à terra natal, através de um dos miniautocarros mais conhecido por “sprinter”. E porque há COVID-19 nos dois países (Moçambique e África do Sul), ela deve apresentar às autoridades migratórias comprovativo de teste negativo da COVID-19 feito nas últimas 72 horas. Bakwena não fez o teste da COVID-19, mas pretende embarcar até Johannesburg, sua cidade de origem, nessas condições. Ela estará sujeita ao cumprimento da quarentena institucional durante 10 dias e com todos custos das despesas imputadas a ela. E numa breve conversa, confessou não ter feito o teste e diz que tudo vai se definir pela frente.

“Estou cansada de ficar num país que não é o meu, só quero regressar a casa. Coronavírus fechou-me, mas pretendo regressar”, disse.

Ainda no terminal da Junta, conversamos com Arcélio Zandamela, que é transportador internacional. Contou que no dia da reabertura das fronteiras (01-10-2020) levou 15 passageiros da África do Sul com destino a Maputo, mas diz que no sentido inverso não há passageiros porque, segundo suas palavras, a obrigatoriedade de apresentação do teste inibe as viagens. “Até agora, ainda não está melhor, não está nada melhor, por causa das restrições, porque se precisa de teste da COVID-19 e está a ser difícil para as pessoas por causa dos preços. As pessoas reclamam muito, mas por causa dos preços. Não levo ninguém sem teste, mesmo ontem, vieram aqui pessoas e não tinham teste, eu disse não vale a pena seguir viagem sem teste da COVID-19”, disse o jovem motorista que tenta angariar passageiros para os levar a África do Sul.

Nelson é controlador do trafego na rota Johannesburg-Maputo, conta que os passageiros vem ao terminal, mas são mandados voltar por falta de comprovativo do teste negativo da COVID-19, que pode variar entre 3 a 6 mil meticais. “Gostaria que o governo fizesse uma ideia para nós, que o Ministro dos Transportes e Comunicações e o Ministro da Saúde possam fazer uma ideia para nós e baixarem os preços dos testes do coronavírus para os passageiros, para que eles possam viajar novamente porque os preços sãos altos “.

O terminal dos transportes rodoviários internacional da baixa da cidade de Maputo estava abandonado. O guarda daquelas instalações disse que desde a eclosão do novo coronavírus, há precisamente seis meses, nenhum carro apareceu naquele terminal para embarcar ou desembarcar passageiros, mesmo com a reabertura das fronteiras.

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