My loves continuam a transportar pessoas em Maputo

Apesar da interdição do transporte de passageiros nos carros de caixa aberta, na capital do país, esses ainda circulam em algumas vias. A Polícia Municipal diz que continua implacável para banir este tipo de viaturas. Entretanto, há uma disparidade entre o desejo das autoridades e a realidade no terreno.

É sempre na hora da ponta em que se vê a fragilidade no sistema do transporte na capital do país. Nos terminais rodoviários e paragens, muitos passageiros esperam horas a fio pelo escasso transporte e, quando finalmente chega, está abarrotado de gente.

Não é permitido o transporte de pessoas nos carros de caixa aberta. Contudo, verifica–se, nalguns pontos da cidade, a circulação destes meios com gente, sem mínimas condições de segurança. No bairro Ferroviário, por exemplo, os chamados “my love” mitigam um problema já crónico, que nem a edilidade nem o Governo conseguem resolver, em plena metrópole.

Uma imagem captada, na manhã desta terça-feira, naquele bairro, onde os “my love”” faziam fila e disputavam passageiros, mostrou o dia-a-dia de quem depende do precário transporte público para chegar a vários destinos, em particular, ao local de trabalho. Tudo acontece aos olhos impávidos de quem devia pôr término à situação.

Entre Matola e Maputo, numa zona conhecida como Mafurreira, também circulam “my loves”, com gente apinhada, sem obedecer ao distanciamento previsto no protocolo de protecção contra a COVID-19.

Constância Guambe segue viagem abordo de uma camioneta, sem mínimas condições de segurança e diz estar sujeita a esta realidade, porque o transporte convencional não chega para todos.

“Nós estamos a sair do mercado Grossista e temos estes nossos plásticos; aqui não entra transporte por causa desta nossa estrada. Porque este Município de Maputo, assim como o da Matola, não arranja esta estrada da Mafurreira para Khongolote e, por isso, não há transporte. O único carro que está a socorrer-nos é caixa aberta”, lamentou.

Os motoristas dos carros de caixa aberta sabem da proibição, mas dizem estar na defesa dos passageiros, que muito tempo ficam na paragem.

Constantino Manhice conta que, várias vezes, sobretudo na chamada hora da ponta, os passageiros chegam a implorar para serem levados. “Sempre carregamos de manhã, porque as paragens ficam cheias”, defende-se Manhice.

Por causa desta situação, a Polícia Municipal sancionou alguns transportadores na última semana. Mateus Cuna, porta-voz da Polícia Municipal, explica que “na semana finda, foram aplicadas seis multas por transporte de passageiros em carrinhas de caixa aberta”.

Uma outra realidade visível nas estradas da cidade de Maputo, mas não permitida pela Polícia Municipal, é a circulação de carrinhas de caixa aberta, que embarcam passageiros e carga em simultâneo.

“A todo o transporte que está destinado à carga, está vedado o transporte de passageiros. Ao transporte de passageiros, está vedado o transporte de carga”, sentenciou Mateus Cuna.

Os carros de transporte misto da Agência Metropolitana de Transporte, em Maputo, são os únicos autorizados a transportar pessoas e cargas em simultâneo.

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