Mudança do nome Mambas: Uma montanha que poderá parir um rato

Tal como nos grandes despiques desportivos em que os espectadores vestem a pele de especialistas e opinam sobre os lances ficando-se por aí, o assunto alteração – ou não – da designação Mambas para a nossa Selecção Nacional, poderá acabar por ser… uma montanha a parir um rato. Oxalá não! Mas o facto de um assunto ligado ao nosso desporto constar na primeira linha das atenções dos cidadãos nacionais – muitos deles normalmente virados para o que se passa na Europa – pode, por si só, ser motivo de aplauso.

Antes de mais, há que colocar na crista das análises, que não importa mudar só por mudar. Daí que, se para alguns o nome Mambas não serve, isso deveria ser acompanhado por sugestões com os “condimentos” da designação do que projecta como melhor. Sem esquecer a originalidade e tentando fugir à “macaquice de imitação”!

Argumentos dos contra:

–       O nome Mambas é satânico, porque relacionado com um animal rastejante, repugnante, a quem as crianças atiram pedras. Elefantes ou rinocerontes, animais protegidos pelo Estado, talvez fossem mais consentâneos. As crianças quando vêem uma Mamba, lançam pedras ou fogem dela – ideia-base de Gilberto Mendes, Secretário de Estado;

–       A designacão Mambas, “não vende”. Já houve problemas com a CAF por causa disso – afirmou Feizal Sidat, Presidente da FMF.

Argumentos a favor da manutenção:

–       O nome Mambas, já fez história. Invista-se na formação e os resultados virão. O facto de possuir uma picada mortal, por analogia, significa que não perdoa aos adversários;

–       Mudar o nome, seria como pontapear a história, seja ela boa ou má. Daí que não seja bom;

–       Não é o nome que traz resultados. Só a organização e a criatividade, nos podem fazer evoluir;

FACTOS E REALIDADES

–       Que o balanço da equipa de todos nós – antes e depois da designação Mambas tem um saldo negativo, é uma realidade;

–       Porém, foi com essa designação que vivemos momentos de glória altos com qualificações a 3 CAN’s;

–       Estivemos nove anos sem perder na Machava, numa altura em que eram “obrigatórias” as vitórias sobre adversários como Lesotho, Suazilândia, Madagáscar ou Botsuana;

–       Que, apesar da escolha não ter sido referendada, ela mereceu na altura meditação entre dirigentes federativos, jornalistas e outras pessoas ligadas ao fenómeno desportivo. Não foi apenas alguém sonhar, acordar e atribuir a designação;

–       Foi como Mambas que atingimos o lugar 68, em 1996, no ranking FIFA, o melhor de sempre da equipa de todos nós. Hoje andamos pela posição 106. Será que os outros é que evoluíram e nós estagnamos? Responda quem souber.

–       O “inventor” da designação Mambas foi o Mundinho e o criador do desenho, o João Domingos. Ambos músicos de gabarito e amantes do futebol. Que Deus os tenha! A motivação era a de que injectasse o seu vírus letal nos adversários.

O ESSENCIAL E O ACESSÓRIO

Esta discussão, embora candente, tende a ser banalizada. Pessoalmente, apesar do meio século de vivência “no interior” do fenómeno desportivo, confesso que senti algum receio em opinar, receando meter-me num “vespeiro”.

Porém, permitam-me, modestamente, explanar alguns argumentos:

1.     Não me parece que haja na natureza algum animal sem importância no equilíbrio ecológico. Se existe, esse é mesmo o homem, pois como referia um especialista, o leão ou o tigre, por exemplo, não matam para guardar na geleira, como fazem os humanos.

2.     De qualquer forma, não alinho na ideia de que nomes, mística e prestígio, não sejam importantes factores na obtenção de resultados. Permitam-me consubstanciar esta ideia, contando um episódio: acompanhei Mário Coluna a Portugal, onde vimos um jogo no Estádio da Luz. Recordava o Monstro Sagrado: “No meu tempo de campeão europeu, só por vestirmos a camisola do Benfica, transcendíamo-nos, comíamos a relva. Até jogadores vulgares como Mário João ou Cruz, galvanizavam-se.

3.     Assim sendo, eu pergunto: se a nossa Selecção, com esta designação tivesse conseguido resultados excelentes, próximos dos obtidos pelo recém-falecido basquetebolista norte-americano que usava o nome “Black Mamba”, estaríamos a equacionar uma mudança?

Portanto:

O nome, por si só, não traz resultados. Mas pode ser um factor catapultador. Depende de como o enquadramos. Veja-se o que poderia representar na mente de uma criança portuguesa, o símbolo do Sporting, um leão, habitante da longínqua selva africana que até mata pessoas… Neste caso, valorizou-se o porte e o facto de ser considerado o rei da selva!

Por estas e outras razões, sou defensor da manutenção do nome e de um virar de atenções para factores que considero essenciais, tais como a maximização da utilização dos campos e espaços que resistiram aos “business”, em bairros e escolas, para que – em especial a juventude – possa competir regularmente.

Investir na formação, tem que deixar de ser mero “slogan”, de tal forma que o desporto nacional ganhe um outro estatuto nas nossas paixões e nas nossas vidas.

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