Moçambique: Restrições no acesso a água em Pemba poderão estar mais perto do fim

Foi lançado, esta sexta-feira (12.02), em Pemba, capital da província moçambicana de Cabo Delgado, o projeto de reabilitação e ampliação do sistema de abastecimento da cidade, que prevê a abertura de 20 novos furos de água, a ampliação da rede de distribuição, de 250 para 383 quilómetros de extensão, a expansão das estações de tratamento e bombagem de água, para além da reabilitação e construção de novos centros de distribuição.

Segundo as previsões avançadas, a nova rede de distribuição irá permitir efetuar dez mil novas ligações, aumentando assim a disponibilidade deste recurso indispensável no seio das populações, em cerca de 26 por cento.

Numa altura em que Pemba acolhe dezenas de deslocados internos, devido aos conflitos em Cabo Delgado, o novo sistema de abastecimento de água poderá também minimizar a grande pressão sentida nos últimos tempos. Quem o diz é Armindo Ngunga, secretário de Estado da província de Cabo Delgado:

“Este projeto vem resolver em grande medida este problema, por isso nós agradecemos ao Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos. Mas mais do que isso, pela capacidade de antecipação porque Pemba é uma cidade em crescimento e este projeto vai resolver o problema de provisão de água a uma quantidade maior de habitantes nesta cidade”.

Na mesma ocasião, João Machatine, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, que dirigiu a cerimónia, acrescentou que “o empreendimento irá duplicar os indicadores no sistema de abastecimento de água em Pemba, ao passar de uma produção de 15 mil metros cúbicos por dia para 35 mil metros cúbicos por dia. Com esta capacidade de produção vamos sair de uma cobertura de 54 por cento para 80 por cento”.

O sofrimento no acesso à água potável, que faz parte do dia-a-dia da vida de muitos cidadãos em Pemba, poderá assim ficar ultrapassado a partir de finais de 2022, quando for concluída a reabilitação e ampliação do sistema de abastecimento.

“Um sofrimento”, dizem os cidadãos

Gina Atumane, residente do bairro de Muxara em Pemba, descreve com angústia a ginástica que tem que fazer para obter água para o uso doméstico, no seu dia-a-dia. Segundo a munícipe, não são todos os dias que o precioso líquido jorra nas torneiras do bairro e a alternativa têm sido recorrer aos poços tradicionais.

“Sofremos muito por causa da água. Às vezes não sai. Quando sai um dia, passa uma semana sem voltar a sair. Temos ido aos poços lá longe à procura de água”, conta.

Sabuhina Mahamudo, outro munícipe de Pemba, já se acostumou com as restrições no fornecimento de água e diz que para minimizar o seu impacto, poupar tem sido a saída encontrada.

Para além de melhorar e aumentar o acesso à água para os residentes da autarquia de Pemba, o sistema de abastecimento reabilitado irá igualmente beneficiar os distritos de Mecufi e Metuge. O tempo de disponibilização da água pelo Fundo do Património do Abastecimento de Água (FIPAG) irá igualmente aumentar das atuais seis horas para 16.

João Machatine, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos

O projeto de reabilitação e ampliação do sistema de abastecimento de água de Pemba está orçado em 38 milhões de dólares norte-americanos, fundos disponibilizados pelo governo moçambicano e o Banco Mundial.

A iniciativa mereceu elogios e agradecimento de Florete Mutarua, edil de Pemba, que para minimizar a carência de água na urbe tem apostado na reabilitação e construção de novos fontanários públicos nos bairros.

Joao Machatine avançou também que um dos próximos passos do seu setor no que diz respeito ao abastecimento de água em Cabo Delgado é resolver o crónico problema de acesso a água nos distritos de Mueda, Nangade e Muidumbe.

“Há negociação que se encontram num estágio muito avançado com a Índia, no sentido de financiar um sistema mais integrado, robusto e definitivo para o planalto [Mueda, Nangade e Muidumbe]”, garantiu.

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