Moçambique: Ainda cabe a reconciliação no “alinhamento” RENAMO – FRELIMO?

“Houve mudança na postura pública do líder da RENAMO, aparentando redução do nível de conflito, mas não é verdade”, afirma especialista em justiça social. O facto alimenta desconfiança que afeta a reconciliação nacional.

A desconfiança entre a RENAMO, maior partido da oposição em Moçambique, e o Governo da FRELIMO está longe do fim, entende Victor Igreja, da Universidade de Southern Queensland, na Austrália. O especialista em reconciliação e justiça social reconhece que “os níveis de conflitualidade pública entre as partes reduziram, mas isso não significa que os dois partidos estejam alinhados”.

Sobre o processo de Desmilitarização, Desarmamento e Reintegração (DDR), o moçambicano acredita que existe uma vontade da parte do Governo para, de uma vez por todas, retificar os erros do passado e de conduzir este processo com algum sentido de Estado.

DW África: A RENAMO e o Governo da FRELIMO mostram-se bem alinhados depois da morte de Afonso Dhlakama. Seria desnecessário pedir valores como reconciliação?

Victor Igreja (VI): Penso que a RENAMO e a FRELIMO não estão alinhados, os níveis de conflitualidade pública reduziram, mas isso não significa que os dois partidos estejam alinhados. E neste sentido o problema da reconciliação continua ainda uma realidade e é necessário que se tome a sério o processo nacional. Alias, o próprio líder da RENAMO [Ossufo Momade] já veio a público informar que seria necessário criar-se uma comissão para gerir todo este processo da reconciliação nacional.

DW África: Terá, de facto, acabado a desconfiança que sempre caracterizou a sua relação ou a fase boa deve-se apenas ao “alinhamento” garantido por Ossufo Momade e Nyusi?

VI: A desconfiança entre os dois partidos persiste, tanto mais que mesmo após a morte de Afonso Dhlakama e a ascensão de Ossufo Momade tem havido relatórios e reportagens que mostram que membros da RENAMO continuam a ser perseguidos pelos chamados esquadrões da morte e isso continua a gerar muita tensão entre os dois partidos. É verdade que houve uma mudança na postura pública do novo líder da RENAMO, e neste sentido pode dar a entender que o nível de conflito reduziu, mas não. E isso continua a alimentar este clima de desconfiança que perturba o processo de reconciliação nacional.

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