Milhares de famílias isoladas e estradas cortadas na província de Maputo

Por conta da situação, a circulação de pessoas e bens está condicionada na vila municipal de Boane, do interior para a vila e vice-versa. O rio Umbeluzi transbordou e além de serpentear sobre as estradas, criou cortes cuja reparação exige trabalho aturado.

Letícia, afecta à estação de tratamento de água implantada numa das margens do rio Umbeluzi, “suou” para chegar ao seu ofício. Em vez de usar o percurso de costume, recorreu à via de Mafuaiane, despendendo muito tempo. Devia “estar no meu posto de trabalho, mas não sei como atravessar” para outra margem.

A dificuldade de Letícia de passar de uma margem para outra resulta do facto de as duas pontes comumente em uso estarem submersas.

Há chuva e causa estragos, mas a vida não pode parar. É o que se diz nas comunidades, por isso, as embarcações artesanais que antes se dedicavam à pesca foram realocadas para o transporte de pessoas e bens, conforme a explicação do pescador Cesar Alberto.

Os operadores dos barcos garantem que a travessia de uma margem para outra é segura. Contudo, Sabina Francisco, a professora afecta a um dos estabelecimentos de ensino primário em Boane, dúvida dessa segurança. Mas esta segunda-feira não tinha outra alternativa para chegar ao trabalho, senão recorrer às canoas.

Marta Fernando também precisou tomar coragem para atravessar o Umbeluzi através de embarcações artesanais.

Aliás, a viagem não é gratuita. Custa 15 meticais por cada passageiro. A segurança dos utentes está em xeque, porque a lotação das canoas é determinada em função da demanda. Ademais, não há observância das medidas de prevenção contra a COVID-19.

Em Boane, há igualmente vários campos agrícolas inundados devido à chuva. O edil Jacinto Loureiro disse que o que se vive é “extremamente difícil. Temos as duas principais pontes sobre o rio Umbeluzi totalmente submersas. Temos várias estradas também cortadas e muitas casas inundadas”.

Os estragos impostos pela mãe natureza não esgotam aí: “as condutas de água que partem da estação de tratamento para a vila foram também danificadas”, o que pode limitar o abastecimento do precioso líquido. Receia-se “momentos difíceis” a partir desta segunda-feira, uma vez que os reservatórios podem esvaziar.

Jacinto Loureiro disse que a edilidade está a articular e buscar soluções junto de outras instituições. “As nossas máquinas estão no terreno a abrirem valas e vamos continuar a trabalhar tentando encontrar todo tipo de solução local”.

Até à publicação desta matéria, o rio Umbeluzi continuava a inundar mais áreas.

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