Marisa Matias avisa que país “está aflito”. “PR não pode ser um adorno”

A eurodeputada do Bloco Bloco de Esquerda afirmou, este sábado, que a democracia é a força do seu programa na corrida a Belém.

Na apresentação da candidatura, Marisa Matias afirmou que, por causa da pandemia da Covid-19, o país ainda tem pela frente “tempos difíceis e duros pela frente”.

“Sei que temos ainda muitos tempos difíceis e duros pela frente. Vivemos uma crise sanitária e ela mostra-nos onde está a força do nosso país”, afirmou, sublinhando que a força do nosso país “está na solidariedade e no cuidado, está no profissionalismo e na humanidade”.

A força do nosso país, continuou a discursar, “não está na riqueza, não está nas fortunas, não está no facilitismo, que só fizeram nascer a corrupção e a desigualdade”.

Nas palavras da eurodeputada“a força é o que nos é comum” e deu como exemplo o Serviço Nacional de Saúde.

“A democracia é o que é de toda a gente, é a liberdade que cuida de toda a gente, é essa a força do meu programa. A democracia é o que é de todos, para todos e por todos”, atirou, perante uma plateia que a aplaudia.

Marisa Matias destacou que “por cima da crise sanitária” temos “a crise social”, cujos efeitos “recaem de forma desigual sobre a população, os mais pobres e os esquecidos são sempre as primeiras vítimas, o desemprego é uma praga e a vulnerabilidade cresceu”.

“Portugal está aflito”

“Em poucas palavras, Portugal está aflito”, disse, acrescentando que “há uma outra doença que nos ataca e que nunca devemos largar e que não nos quer largar também”: “Essa doença é o nosso atraso, é o que falta nos centros de saúde e nos hospitais, é a reconfiguração que precisamos de fazer no SNS, é o abandono escolar, as atividades poluentes, é o desemprego, (…) é a fraude e é a mentira”.

Por isso, defendeu, “uma economia mais justa tem de assentar na transparência e no respeito”. “Transparência no combate à impunidade dos financeiros, à corrupção das portas giratótias do poder, à fuga fiscal de quem mais tem”, concretizou a candidata a Belém.

Marisa Matias frisou ainda  que “a pandemia acelerou a crise económica e social, mas não a inventou”.

“Não foi a covid que empurrou dezenas de milhares de jovens para cima de bicicletas e motas para serviços de entrega porta a porta, sem contrato e sem direitos. Não foi a covid que criou os lares clandestinos, onde são maltratados tantos idosos. Não foi a covid que inventou a soberba dos patrões que fecham a porta, despedem as trabalhadoras e abrem nova empresa ao lado”, apontou, numa declaração na qual evocou por várias vezes Maria de Lurdes Pintasilgo, a única mulher primeira-ministra em Portugal, e recordou a sua candidatura a Belém de há cinco anos para lembrar outro cenário de crise.

“Esse fatalismo foi vencido e a política mudou em Portugal, mudou na proteção das reformas e pensões, na recuperação dos rendimentos, no desenvolvimento de serviços públicos, impedindo novas privatizações, o país ganhou com o reforço da esquerda e com a mobilização popular. Eu acredito profundamente que a minha candidatura fez parte dessa mudança que quebrou o ciclo da austeridade e que permitiu ao país respirar e recuperar”, defendeu.

Para as presidenciais de janeiro, Marisa Matias considerou que a sua candidatura representará as pessoas que “à esquerda não baixam os braços e constroem soluções para o país”.

“Uma candidatura de quem, como Maria de Lurdes Pintasilgo, acredita na força do diálogo. De quem acredita que podemos ter uma política diferente. Mesmo diferente”, salientou. “Como Pintasilgo, sei que as eleições presidenciais não estão acima da política. Quem ocupar a Presidência não será um adorno nas escolhas decisivas que temos pela frente”, reforçou.

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