“Julgo ser de abandonar a noção de ‘Geringonça'”, defende Vital Moreira

Esta “designação de “governo esquisito” ou “fora do normal” – ‘Geringonça’ – não traduz a realidade política nacional, já que o PS ganhou as eleições, ainda que sem maioria absoluta.

Oconstitucionalista Vital Moreira defende, numa publicação no blogue ‘Causa Nossa’, que é de “abandonar a noção de ‘Geringonça'”Esta “designação de “governo esquisito” ou “fora do normal” traduzia uma realidade que já não se aplica ao cenário político atual, já que o PS é, agora, “mais um ‘normal’ governo minoritário do partido que ganhou as eleições sem maioria absoluta”.

Há, como constata ex-eurodeputado do PS, “quem continue a usar a noção de ‘Geringonça’ para designar um eventual acordo de Governo duradouro do PS com os partidos à sua esquerda, ou seja, com o BE, ou o PCP, ou ambos”.

A designação foi adotada para traduzir uma “aliança entre os três partidos” que visou “afastar o Governo do partido (e coligação) que tinha ganhado as eleições (PSD+CDS), fazendo aprovar pela primeira vez na nossa história constitucional e parlamentar um governo minoritário do segundo maior partido parlamentar (o PS) e que, portanto, só se sustinha por ter o apoio dos partidos da Geringonça”.

Mas esse cenário já não traduz a realidade atual. O Partido Socialista venceu as últimas eleições, pese embora sem maioria absoluta, à semelhança de “cinco governos” anteriores (1976, 1985, 1995, 1999, 2009). A maioria destes Executivos eram do PS, o que faz dele o “campeão dos governos minoritários”.

“Julgo ser de abandonar a noção de ‘Geringonça’, por deixar entender erradamente que se trataria de repetir a solução de 2015-19″, defende então o jurisconsulto, acrescentando que parece evidente que “o PCP não está agora disponível para nenhum acordo de apoio ao Governo”, considerando “as suas propostas propositadamente inviáveis”.

Com efeito, a “hipótese de um acordo fica limitada ao BE (o que, aliás, não facilita a sua conclusão, visto que os bloquistas tenderão a ser mais exigentes, para não serem acusados pelo PCP de “cedências à Direita”). Sendo assim, mais uma razão para deixar de utilizar a noção de ‘Geringonça’. Falar em ‘meia Geringonça’ faz ainda menos sentido…”

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