Há excedentes de arroz no regadio de Chókwè

O distrito de Chókwè, província de Gaza, prevê colher acima de 15 mil toneladas de arroz, mas ainda não tem onde vender e os produtores começam a ter prejuízos por falta de mercado e armazenamento.

Com o apoio do programa Sustenta, as mulheres da Associação Ahikhomeni Vavasati incrementaram a produção e plantaram arroz em 71 hectares, mas, neste momento, estão preocupadas por não saber o que vão fazer com tanto arroz.

São 320 toneladas que esta associação deverá colher na presente época, das 31 já foram ceifadas, sendo que, em cada hectare, são colhidas 4,5 toneladas de arroz. Estas são quantidades que, diga-se, nunca antes tinham sido registadas por esta agremiação.

Entretanto, a felicidade de ter uma produção de sucesso é freada pela tristeza de não saber o que fazer depois para que a produção seja transformada em ganhos e sustentabilidade. Neste momento, não há mercado, nem espaço para armazenar.

Por exemplo, as mulheres da Associação Ahikhomeni Vavasati são obrigadas a ficar nas machambas, onde estão amontoados os sacos de arroz para garantir que ninguém roube e tapá-los com tendas sempre que a chuva chega. Por falar em chuva, em dias em que essa cai, a máquina não pode ceifar, porém as donas do produto são obrigadas a estar por perto. Algumas acabam por carregá-los, através de carroças de burros, para casa.

Outra razão para esse plantão nas machambas é que, dos campos de produção até às zonas de habitação, as vias não permitem circulação de todo tipo de veículos e “nós não temos dinheiro para alugar um carro que possa carregar todos estes sacos e a chuva não pára de cair. Pode ser que percamos tudo isto”.

Enquanto isso, há quem prefere fazer a ceifa de forma manual, tudo para garantir que a sua produção não seja perdida. Ermelinda Chaúque, dona de quatro hectares, faz o corte dos troncos de arroz, o seu filho carrega-o para o lado em que estão as suas outras duas filhas que batem num tambor para que o arroz caia e metê-lo nos sacos para casa.

Ainda assim, a pressa em tirar o arroz da machamba não é directamente proporcional à velocidade com que os clientes chegam. “Produzimos muito arroz, mas não temos clientes para comprarem o produto”, conta.

Com o som de chicote, Orlando Machava, um jovem de 26 anos de idade, é um dos encarregados para espantarem passarinhos nos 50 hectares da Associação Búfalo Ferido. Aqui, foram plantadas 50 hectares de arroz e, agora, por não saber onde vender, sem espaço para armazenar e com falta de máquinas para ceifa, esta associação decidiu adiar, por agora, enquanto isso tem de gastar 31,500 mil meticais mensalmente para pagar sete jovens, que, através de chicotes, espantam os pássaros.

O chicote de Orlando Machava e dos seus colegas até espanta os pássaros, mas a ceifa tem dias certos para acontecer, depois desses, a produção fica comprometida. É o que está a acontecer com o arroz das machambas da Búfalo Ferido, que começa a perder-se.

“O arroz está a acamar, isto é, está a cair sozinho e isso vai trazer grandes prejuízos aos produtores”, conta Gabriel Cossa, presidente da Búfalo Ferido.

E, na verdade, o Governo distrital de Chókwe sabe disso tudo, mas também não pode fazer mais nada senão esperar, tal como deu a saber Nelson Chamo, director dos Serviços Distritais de Actividades Económicas de Chókwè. “Sabemos que o Governo, a nível central e provincial, está a envidar esforços para que tenhamos mercado, então estamos à espera dessa forma inteligente dos nossos superiores hierárquicos”.

Aliás, os Serviços Distritais de Actividades Económicas já fizeram a sua parte, que é o levantamento de toda produção disponível para a comercialização e garantem que não é pouco arroz produzido em Chókwè, num ano em que houve um incremento motivado pelo programa Sustenta.

“Agora, na época da colheita, temos uma previsão de 15 225 toneladas de arroz para esta campanha”, tudo sem ainda ideia de onde e como vender.

Por falar em como vender, os produtores falam de alguns compradores que, algumas vezes, aparecem e praticam preços injustos, pelo que apelam aos novos clientes para pensarem melhor antes de marcarem os preços.

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