Graça Machel e Dom Dinis Sengulane indignados com escândalo de Matalana

Graça Machel e Dom Dinis Sengulane manifestaram hoje, em Maputo, a sua indignação contra o escândalo despoletado na escola da polícia em Matalana. Os dois membros do Conselho de Administração da FDC disseram ao “O País” esperar por justiça

Graça Machel e Dom Dinis Sengulane juntaram-se hoje à onda de repúdio contra o escândalo na escola básica da polícia em Matalana, distrito de Marracuene, província de Maputo. As duas individualidades manifestam preocupação com o que chamam de “aparente silêncio generalizado” nas organizações, tais como as instituições religiosas, desde que o caso foi despoletado.

“Agradecer e encorajar a pessoa que despoletou o escândalo. Encorajamos outras pessoas que tenham situações semelhantes a seguirem o exemplo”, afirmou em entrevista ao “O País” Dom Dinis Singulane, tendo questionado “a quem de direito”:

“Será que acha que já se fez o suficiente, ou o que se fez em relação às moças é justo? Não será uma maneira de pura e simplesmente tira-las para dar lugar a outras (em Matalana)? É justo e suficiente”, indagou.

O reverendo anglicano expressou também sobre a necessidade de uma reflexão em torno do que a sociedade pode fazer para evitar que situações similares ocorram no futuro, “não só na polícia, bem como em outros sectores em que temos a ousadia de acreditar que coisas semelhantes estão a acontecer”, disse Sengulane.

Entretanto, para Graça Machel, os casos de assédio sexual no país podem ser combatidos de forma significativa só com uma profunda revisão legal.

“A lei tem que ser muito forte e não deixar qualquer dúvida de que isto é crime. Nós precisamos de um movimento amplo e profundo de intolerância, indignação e de repúdio contra o assédio sexual”, manifestou a Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), assinalando ainda ser necessário que as pessoas cheguem a um ponto em que “não se atrevem se quer a tentar no assédio, porque sabem que a opinião pública vai cair por cima deles de uma forma implacável”.

Para Machel, “esse ambiente tem que ser criado por organizações sociais e, sobretudo, por organismos do Estado”, entende, salientando que “todos os sectores têm que criar um ambiente de intolerância e a inadmissibilidade de usar as mulheres para fins mesquinhos”.

Graça Machel e Dom Dinis Singulane que falavam hoje em entrevista “ao O País”, reconheceram o papel da sociedade civil na condenação do escândalo de Matalana, desde que foi tornado público.

Os dois membros do Conselho de Administração da FDC disseram esperar pela efectivação da justiça.

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