“Garras da pandemia” forçam a nova revisão em baixa da retoma europeia

Face às anteriores previsões macroeconómicas de outono, Bruxelas retira quatro décimas tanto às estimativas de crescimento económico na zona euro para 2021 — em novembro antecipava uma subida do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,2%, o que já constituía uma forte revisão em baixa face às previsões de verão, de 6,1% -, como do conjunto da UE, para o qual previa há três meses uma subida do PIB de 4,1% este ano.

No entanto, e apontando que o início das campanhas de vacinação na Europa constitui uma “luz ao fundo do túnel” e uma fonte de “otimismo cauteloso”, o executivo comunitário acredita que um crescimento forte no segundo semestre deste ano aliado a um bom desempenho no próximo permitirá à Europa recuperar de forma mais sólida que o previsto em 2022, com o PIB a crescer 3,8% no espaço da moeda única e 3,9% no conjunto dos 27 Estados-membros, quando no outono apontava para uma subida de 3,0% tanto na zona euro como na UE.

Bruxelas espera assim que, com as subidas do PIB projetadas agora para o conjunto de 2021 e 2022, as economias da zona euro e da UE regressem aos valores pré-pandemia no próximo ano, depois das fortes quedas de 6,8% na zona euro e de 6,3% na UE em 2020, ainda que admitindo que o impacto da covid-19 “permanece desigual entre os Estados-membros e a velocidade da recuperação também deverá variar de forma muito significativa”.

A Comissão admite também que os riscos em torno destas projeções macroeconómicas permanecem “elevados” e estão sobretudo relacionados com a evolução da pandemia e o sucesso das campanhas de vacinação.

“Em termos de riscos negativos, a pandemia pode revelar-se mais persistente ou grave no médio prazo do que o cenário assumido nesta previsão, ou pode haver atrasos nas campanhas de vacinação. Tal poderia adiar o levantamento das medidas de contenção, o que por seu lado pode afetar o ritmo e a força da retoma”, assume a Comissão Europeia.

Bruxelas também admite que “existe igualmente o risco de que a crise possa deixar cicatrizes mais profundas no tecido económico e social da UE, designadamente fruto de falências generalizadas e perda de postos de trabalho”, o que “também afetaria o setor financeiro, aumentaria o desemprego de longo prazo e agravaria as desigualdades”.

Do lado oposto, a Comissão identifica também “riscos positivos” que podem levar a uma revisão em alta das previsões, designadamente a possibilidade de o processo de vacinação permitir um levantamento das medidas restritivas mais cedo do que o previsto e, consequentemente, a uma recuperação mais rápida e sólida”, e o pacote de recuperação, o ‘NextGenerationEU’ impulsionar um crescimento maior do que o esperado, até porque a maior parte do financiamento que estará disponível a partir deste instrumento ainda não está contemplado nestas projeções.

Relativamente à inflação — o outro indicador que consta das previsões macroeconómicas intercalares -, a Comissão Europeia antecipa que a mesma aumente na zona euro de 0,3% em 2020 para 1,4% em 2021, antes de recuar ligeiramente para 1,3% em 2022, enquanto para o conjunto da UE espera que esta se fixe nos 1,5% tanto este ano como no próximo.

“As previsões de hoje proporcionam uma esperança real numa altura de grande incerteza para todos nós. A sólida expectativa de retoma no segundo semestre deste ano mostra muito claramente que estamos a virar a página na superação da crise”, comentou o vice-presidente executivo da Comissão Valdis Dombrovskis, responsável por ‘Uma Economia ao Serviço das Pessoas’, apesar da revisão em baixa da recuperação para este ano que marca as previsões económicas hoje divulgadas.

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