“FIZ DIREITO PORQUE QUERIA FAZER JUSTIÇA PELO ABANDONO DO MEU PAI”, REVELA MÉRCIA CASTELA

Mércia Castela, deputada da bancada da Frelimo na Assembleia da Republica (AR), foi a grande convidadada do programa “Inspirações”, onde abordou varios temas relacionados a sua vida pessoal e profissional.

A deputada iniciou falando do motivo que a fez cursar Direito, dizendo que foi pelo instinto de querer fazer justiça contra o seu pai que a abandonou quando tinha apenas 2 meses de vida.

“Meu pai me abandonou, eu tinha essa concepção”, revelou.

Entretanto actualmente, Mércia enxerga que fazer Direito nao foi apenas para fazer justiça contra o pai, mas sim fazer justiça pelos menos que sofrem abuso sexual.

Para Mércia, o número crescente de caso de violações sexuais em Moçambique é alarmante, o que a faz querer justiça contra os abusadores que muitas vezes alegam ter agido sob efeito de alcool, o que para si é inadmissível.

“Nao se justifica um homem adulto violar uma criança de 7 anos e depois acusar o alcool, a nossa mente tem varias gavetas e se a pessoa comete esse crime é porque ja tinha essa intenção”, explicou.

Neste contexto, a deputada falou do seu projecto intitulado “Criança Feliz”, que abrange o tema abuso sexual de menores, revelando o seu desejo de fazer parte dos projectos da UNICEF, para poder ajudar as crianças, principalmente as do sexo feminino.

A deputada falou que esquecer o passado e saber perdoar foram os métodos que usou para ultrapassar as barreiras que enfrentou, referindo-se ao preconceito e discriminação por ser portadora de deficiência.

“Eu sou islâmica e no Alcorão está escrito que Deus faz algo com propósito e faz a justiça, nós nao devemos fazer a justiça. Devemos perdoar e seguir em frente e não desejar o mal a ninguém”, referiu.

Falando dos preconceitos que enfrentam as pessoas com deficiencia, a deputada afirmou que estas tem a mente limitada na sua maior parte, pois esperam pela pena das pessoas para poder desenvolver.

“Eu falo como alguém deficiente e assumo que as pessoas deficientes tem o pensamento limitado, precisam que alguém sinta pena para que possam desenvolver, isso não é necessário eu preciso saber e mostra que sou capaz”, iniciou.

Usou como exemplo o período em que trabalhou nas Linhas aéreas de Moçambique (LAM), onde acabou percebendo que tudo é possivel pois a maior parte dos serviços exercidos são feitos com os membros superiores.

“Mesmo sabendo que maior parte dos serviços feitos na LAM são com as mãos, eu trabalhei durante 9 meses, nao me limitei em dizer que so posso fazer trabalhos feitos pelos pés”, esclareceu.

Mércia afirmou que a pessoa com deficiência tem muita oportunidade de emprego, porém esta só saberá aproveitar se tiver a mente aberta e não se limitar aos olhares da sociedade e muito menos esperar pela pena da mesma.

“A pessoa com deficiência sempre espera ajuda, pensa que por ter uma condição especial precisa ser ajudada,notei isto quando participei no debate da Famot-Pessoas com deficiência, onde expliquei que este é um pensamento errado, não se deve esperar pela pena dos outros e sim fazer por nós próprios”, afirmou.

Após ter este posicionamento, a deputada relatou ter percebido olhares de reprovação pelo mesmo, “eu posso fazer tudo que me propor”, avançou.

Mércia considera que a sociedade moçambicana, nao esta preparada para conviver com as pessoas com deficiência, pois ainda existe descriminação, porém se considera privilegiada por ser deficiente e representar os jovens diante da AR.

Neste sentido, a deputada falou do seu cargo de deputada pela bancada da Frelimo na AR, referindo ser uma grande responsabilidade e considera esta uma oportunidade “enxada” oferecida pelo Presidente da Républica, Filipe Nyusi, para dar continuidade ao desenvolvimento do país junto dos demais deputados, principalmente representar os jovens moçambicanos e satisfazer as necessidades do povo.

Falando das suas primeiras acções como membro da “casa do povo” , esta revelou que no momento ainda está a aprender o ofício baseada na participação de sessões e muita leitura, a qual considera a base de tudo.

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