Estudo destapa mais de 2.700 fakenews diárias sobre COVID-19 nas redes sociais

As constatações constam de um estudo, da autoria de Celestino Joanguete, académico e especialista em Jornalismo e Media, que analisou a quantidade das desinformações que circularam pelo Facebook e WhatsApp, principais redes sociais usadas no país, ao longo do ano passado

 Denominado “Pânico e Medo: Desafios dos Media Moçambicanos na Cobertura da COVID-19”, o estudo faz parte de um conjunto de 18 artigos que compõem a colectânea “Desafios Para Moçambique – 2020”, lançado pelo Centro dos Estudos Económicos e Sociais (IESE).

O estudo refere que, enquanto enfrentavam a batalha para salvar vidas do novo Coronavírus, as organizações de saúde descobriram outro lado sombrio da pandemia, nomeadamente, as organizações e indivíduos que exploram a crise para manipulação política e comercial do sector da saúde.

O sector da saúde é um dos campos mais sensíveis e que mais sofre com a manipulação e falsificação de notícias, as chamadas fake news, refere a pesquisa.

Segundo o estudo, trata-se de notícias que seduzem aqueles que procuram ajuda médica ou que se encontram num estado de saúde desesperante e que procuram propostas de remédios que garantem a cura instantânea.

“Durante todo esse esforço de avaliação da «verdade», o menor esforço e a falta de capacidade crítica, podem facilitar a aceitação da notícia falsa. Infelizmente, a sociedade actual está a enfrentar o problema de excesso de informação que a impossibilita de discernir as informações, o que as torna mais facilmente aceitáveis, por exemplo, por um processo de repetição ou de transformação em anedota”, refere o estudo, apontando os jornais, as televisões, as rádios e as redes sociais da Internet, como palcos do excesso de informação, o que dificulta a separação de factos, ficção e boatos.

A fonte salienta que os meses de Janeiro a Março de 2020 foram caracterizados por “escassez de fontes oficiais de informação”, situação que viria a mudar a partir de 22 de Março em diante, altura em que entrou em cena  nstituto Nacional de Saúde (INS), facto que viria a mudar a situação.

FACEBOOK E O WHATSAPP

Nestas redes sociais, o estudo refere que a desinformação sobre o novo Coronavírus contemplou a propagação de esquemas considerados perigosos e de informações enganosas sobre os cuidados de saúde, através de imagens, vídeos e textos, o que contribuiu para uma exposição dos indivíduos, a um “nível elevado de stress”, medo, ansiedade e pânico.

Sugere o estudo, que o pânico e o medo podem ter contribuído para enchentes nos hospitais e clínicas, ocasionando uma maior demora nos atendimentos e, inclusive, impedindo o atendimento àqueles que, realmente, precisavam de tratamento.

Nas notícias postas a circular nas redes sociais, a fonte destaca os ficheiros em formato de áudio e vídeo.

“Um exemplo são as notícias relativas às mortes omitidas pelas autoridades; figuras políticas contaminadas; oportunismo político para solicitar doações internacionais e a politização da COVID-19 para efeitos de campanhas eleitorais, entre outros”, refere o estudo.

EXAGERO NA MEDIA

A pesquisa “constatou” que, inicialmente, antes da informação da fonte oficial de informação do Governo, os jornais reportavam, de forma exagerada, o avanço do novo vírus, publicando, continuamente, a informação num único género jornalístico, a notícia.

Os jornais, de acordo com a pesquisa, adoptaram, desde cedo, “um estilo melodramático e alarmista”, falando da existência de uma preocupação de nível mundial e da hipótese de epidemia iminente.

“As imagens e os títulos, extremamente exagerados, eram o principal apanágio das notícias sobre o avanço do novo vírus. Nisto, o uso das palavras como perigoso, malicioso e mortes era recorrente”, refere.

No sentido oposto estavam as rádios que, segundo o estudo, conseguiam trazer mais equilíbrio. Segundo a pesquisa, nas rádios, os conteúdos informativos encontram-se divididos por vários géneros que possibilitam uma audição rápida e fácil do que mais interessa ao ouvinte.

“As rádios focavam-se no aspecto educativo, como a produção de teatro radiofónico, músicas e publicidade de longa duração sobre o novo Coronavírus” destaca.

IMPACTO NA TELEVISÃO

Segundo o estudo, há uma sensação de aumento da audiência da televisão durante o período da COVID-19.

“A televisão volta a ser vista por muitos moçambicanos das zonas urbanas, inclusive aqueles que tinham pouco contacto com ela. Esta procura acontece, não só pela informação sobre a COVID-19, mas também como forma de entretenimento durante o período de isolamento decretado pelo Presidente da República” conclui.

À semelhança dos jornais, antes das conferências regulares organizadas pelo Instituto Nacional da Saúde (INS), as narrativas das televisões remetiam para as reportagens da imprensa internacional, nas quais se relatavam os casos de mortes e o perigo iminente a que estávamos sujeitos. No período posterior à implementação das conferências do INS, os termos alarmistas mais frequentemente usados pelas televisões na cobertura noticiosa sobre a COVID-19 eram «guerra», «combate», «luta», «perigoso», «malicioso» e «morte».

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