Estará a política partidária a desunir as mulheres moçambicanas?

Mulheres e membros de alguns partidos políticos creem num divisionismo nocivo entre as moçambicanas, que seria motivado por questões políticas. Organizações da sociedade civil dizem-se preocupadas com a situação.

O dia 7 de abril para Moçambique resume-se no reconhecimento da participação da mulher na luta pela independência política para a sua emancipação. A data também celebra a figura da mulher como elemento fundamental na família.

Mas nem todas as mulheres celebram a data como deveriam. Todos os anos há muitos conflitos entre as mulheres, e geralmente questões políticas estão no seio dessas desavenças.

A presidente da Liga Feminina do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Judite Macuacua, acusa o sistema político em Moçambique de estar a dividir as mulheres, em vez de uní-las. Segundo Macuacua, o resultado é o enfraquecimento das políticas públicas voltadas para as mulheres.

“O sistema político de Moçambique tem criado situações de divisionismo por causa dos partido político. As mulheres não se unem para a agenda da mulher estamos a dizer que queremos lutar para que as mulheres possam alcançar os lugares de tomada de decisão não só dentro dos partidos políticos, mas em todas as instituições do governo”, explica

Fator de divisão

Para Macuacua, o sistema político controla as mulheres, que acabam por defender a agenda do partido político ao qual pertencem. “Deveríamos olhar para aquilo que é agenda da própria mulher”, defende.

A ativista social e membro do Núcleo das Associações Femininas da Zambézia, Achima Mussa, também se mostra preocupada. “Por sermos ativistas sociais, sempre sensibilizamos as mulheres para que não haja [esse divisionismo], porque todos nós somos filhas do mesmo pai e da mesma mãe, que é Moçambique inteiro”, opina.

Para Mussa, as ativistas continuam a se esforçar para sensibilizar pela paz em Moçambique. “Imagine, hoje estamos a sorrir, mas e as que estão em Cabo Delgado?”

Reflexão necessária

A ativista reconhece que há muitas mulheres consciencializada e o Dia da Mulher Moçambicana não significa necessariamente um dia de desafio aos amigos e companheiros homens. “O dia sete para mim devia ser o dia de reflexão. Ontem como éramos, hoje como somos e amanhã como seremos”, salienta.

Embora as festividades estejam a ocorrer num ambiente de restrições devido à pandemia de Covid-19, centenas de mulheres formaram grupos para o convívio e consideram o 7 de abril um dia especial.

Outras mulheres em Quelimane, no entanto, preferem passar o dia a comercializar seus produtos na via pública para garantir o almoço e o jantar para a família.

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