Dragão tentou… mas ‘Elis’ não deixaram: As notas do FC Porto-Boavista

Odérbi da Invicta prometia ser um dos jogos mais eletrizantes da 19.ª jornada da I Liga, e correspondeu em pleno. FC Porto e Boavista empataram a duas bolas numa partida que teve emoção, polémica e até mesmo lágrimas, fruto de um final, verdadeiramente, impróprio para cardíacos.

Os axadrezados chegaram ao Dragão com a lição bem estudada e assinaram uma primeira parte da mais pura competência, anulando a frente de ataque adversária com uma linha de cinco defesas, e mostrando-se exímios nas (poucas) oportunidades que tiveram para explorar o contra-ataque.

A primeira de todas surgiu logo aos dois minutos, quando Agustín Marchesín demonstrou reflexos felinos para desviar o remate acrobático de Alberth Elis, e a segunda aos oito, quando o guarda-redes argentino nada pôde fazer para desviar o potente cabeceamento de Jackson Porozo, após pontapé de canto cobrado por Gustavo Sauaer.

Os azuis e brancos procuraram responder, mas demonstraram sérias dificuldades em quebrar a resistência adversária. O Boavista, por sua vez, foi bem mais ‘letal’, e dilatou a vantagem num dos últimos lances da primeira parte, após mais uma jogada de contra-golpe na qual, desta feita, Alberth Elis não perdoou.

Na segunda parte, o FC Porto transformou-se por completo. Sérgio Conceição lançou Zaidu, Otávio e Marko Grujic, e a equipa conseguiu, por fim, materializar a maior percentagem de posse de bola em domínio efetivo, diminuindo a distância apenas nove minutos após o regresso dos balneários, por intermédio de Mehdi Taremi.

Foi então que, já na reta final, o relvado do estádio do Dragão foi palco de uma sucessão ‘louca’ de acontecimentos, que começou aos 82 minutos, quando Sérgio Oliveira cobrou com sucesso uma grande penalidade. Quatro minutos depois dispôs de outra oportunidade da marca dos 11 metros… e atirou ao poste. Mas a história não ficou por aqui.

Aos 89 minutos, Francisco Conceição, que teve a oportunidade de se estrear de dragão ao peito, colocou toda a qualidade em prática e ‘desfez’ a defesa axadrezada, numa jogada que culminou com o golo de Evanilson. Festejou-se efusivamente, especialmente entre o jovem talento e o pai, Sérgio Conceição, que foi às lágrimas. No entanto, após consultar o VAR, Manuel Mota anulou o lance, por mão na bola de Evanilson.

O FC Porto termina, assim, a jornada na segunda posição, com 48 pontos, menos sete do que o líder, o Sporting, que, no entanto, ainda irá medir forças com o Paços de Ferreira, na próxima segunda-feira. Já o Boavista, soma 15 pontos e divide o último lugar do campeonato português com o Famalicão.

Figura

É caso para dizer que este foi uma Boavista ‘alimentado’ a Alberth Elis. O internacional hondurenho assinou uma exibição incansável, quer do ponto de vista ofensivo, onde procurou sempre ’empurrar’ a equipa, ainda que muitas vezes demasiado sozinho, quer do ponto de vista defensivo, onde foi sempre a primeira ‘barreira’ com a qual os dragões tiveram que lidar. Marcou um golo, e só não fez mais por ‘culpa’ de Agustín Marchesín.

Surpresa

Se ainda não conhecia Francisco Conceição por aquilo que tem vindo a fazer na equipa B do FC Porto, os escassos minutos em que esteve em campo no dérbi da Invicta foram um excelente cartão de apresentação. O ‘menino’ de apenas 18 anos apresentou detalhes de fina técnica, como aqueles que colocou em prática no lance do golo anulado a Evanilson. Festejou (e muito), mas, a continuar assim, melhores sensações chegarão.

Desilusão

Mais uma exibição muito aquém das expetativas de Moussa Marega. O internacional maliano correu muito, mas quase sempre mal. Não fez um único remate acertado à baliza, não conquistou um único duelo aéreo e ainda falhou metade dos passes. Ficou em campo 71 minutos, antes de ser substituído por Evanilson, mas, a continuar assim, será complicado justificar que continue à frente do brasileiro na hierarquia atacante.

Treinadores

Sérgio Conceição: Foi o primeiro a admitir que o FC Porto assinou uma das piores primeiras partes desde que chegou ao Dragão. Os azuis e brancos sabiam que o Boavista iria a jogo com precauções extra do ponto de vista defensivo, mas pouco ou nada fez para criar perigo nos primeiros 45 minutos. Ao intervalo, mexeu, e bem. A equipa conseguiu, por fim, criar perigo, mas, no balanço total, não mereceu mais do que o empate.

Jesualdo Ferreira: O professor deu uma verdadeira lição à antiga equipa. O Boavista montou uma teia na qual o FC Porto poucas vezes conseguiu penetrar, especialmente na primeira parte. As oportunidades de partir para o contra-ataque foram poucas, mas os axadrezados fizeram por aproveitá-las. Faltaram ‘pernas’ para conseguir aguentar tamanha exigência durante 90 minutos, e a lesão de Adil Rami não ajudou.

Árbitro

Manuel Mota procurou deixar jogar, o que nem sempre é fácil num dérbi desta dimensão. As repetições não deixam dúvidas de que esteve bem ao assinalar duas grandes penalidades a favor do FC Porto e a anular o golo de Evanilson. A única ‘mancha’ foi mesmo o lance do primeiro golo do Boavista, uma vez que o canto foi mal assinalado. Numa situação destas, o VAR nada poderia fazer para ajudar.

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