Covid-19: Vacinação decorre em diferentes ritmos nos PALOP

Moçambique já iniciou a segunda fase do plano de vacinação. Na Guiné-Bissau, apesar das desconfianças quanto à eficácia da vacina da Astrazeneca, a adesão à vacinação tem sido grande, mas faltam vacinas.

Um pouco por todo o mundo os processos de vacinação contra a Covid-19 têm tido percursos conturbados entre suspensões, efeitos colaterais, falta de vacinas suficientes e atrasos na produção. Se no Reino Unido ou nos EUA a vacinação segue a todo o vapor, há países, nomeadamente em África, que ainda não receberam nenhuma dose do imunizante.

Moçambique, depois da primeira fase do plano de vacinação contra a Covid-19, que decorreu de 8 de março a 16 de abril, deu início esta semana à segunda fase. O objetivo é chegar a mais, pelo menos, 216 mil pessoas.

Segundo Graça Matsinhe, diretora do Programa Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde (MISAU), a aceitação da vacina tem sido boa tendo o país conseguido na primeira fase uma cobertura de 84% dos grupos prioritários previstos.

“A nossa avaliação é positiva. Claro que houve desafios ao longo do processo que tinham que ver com a questão de haver um conhecimento limitado a nível dos nossos beneficiários em relação à vacina que fez com que de alguma forma e em algumas situações isso levasse a algumas recusas. Mas, de uma forma geral, consideramos que tendo em conta a proporção de pessoas que aceitou a vacina comparativamente com as recusas é um número mínimo”, explica.

Astrazeneca levanta preocupações

Moçambique recebeu 200 mil doses de vacinas da China, 100 mil da Índia e 384 mil doses da vacina da Astrazeneca através da iniciativa da OMS, Covax.

Graça Matsinhe diz que há alguma preocupação por parte da sociedade moçambicana quanto à vacina que tem sido suspensa em vários países, mas em Moçambique a indicação não vai nesse sentido.

“Como país, nós temos um comité técnico-científico que recomenda o Ministro da Saúde e este comité recomendou e continua a recomendar a vacina da Astrazeneca. Essa recomendação do comité técnico-científico é suportada pela recomendação da Organização Mundial da Saúde e pela Agência Europeia de Medicamentos. Portanto ainda não temos nenhuma orientação contrária que nos faça recuar em relação à utilização da vacina”, justifica Graça Matsinhe.

Quanto ao impacto do processo de vacinação no país, Matsinhe sublinha que é “muito prematuro” tirar ilações. “Há muitas lições que foram aprendidas e serviram para apoiar o processo de planificação desta segunda fase e das fases subsequentes”.

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