Covid-19: Como foi o primeiro dia de relaxamento das restrições na África do Sul

A África do Sul encontra-se desde segunda-feira no chamado “nível dois” do estado de calamidade. Vários setores da economia sul-africana passaram a estar operacionais, mas as fronteiras continuam encerradas.

A África do Sul iniciou esta segunda-feira o chamado “nível dois” do estado de calamidade pública. O novo estágio permite a reabertura de bares, restaurantes, ginásios sob a condição de que todos observem as medidas de prevenção. A comercialização de álcool e tabaco – proibida como medida de contenção da propagação do novo coronavírus – também voltou a ser autorizada.

O anúncio do novo nível do estado de calamidade na África do Sul foi feito no último sábado pelo Presidente Cyril Ramaphosa. O chefe de Estado anunciou a suspensão de restrições pelo fato de o país ter registado redução no número de infeções diárias e aumento no número de doentes recuperados.

Ramaphosa destacou que o número de infeções diárias foi de 5 mil na semana passada, frente aos 12 mil anteriores. Na ocasião, ele disse que tudo indicava que a África do Sul havia alcançado o pico de infeções, e a curva está a decrescer. Por outro lado, o Presidente insistiu para que os cidadãos continuem a seguir as medidas de precaução.

Por outro lado, a diretora-regional da Organização Mundial da Saúde, Matshidiso Moeti, alertou para o risco de a flexibilização das medidas restritivas e de a recuperação da atividade económica levarem ao aumento nos casos de Covid-19 em África.

Elogios e cautela

Quem concorda com as medidas do Governo sul-africano é a emigrante moçambicana Elisa Banze, que reside há 20 anos em Katlehong, subúrbio a leste de Joanesburgo.

“Agora já está um pouco melhor, porque os hospitais já não estão cheios. Nos últimos tempos andavam muito cheios, todos os dias, mas agora já baixou… Até a venda da bebida, já abriram ontem”, comemora.

O imigrante angolano Denílson Lopes tem dúvidas sobre o relaxamento das medidas de contenção à propagação da pandemia adotadas pelo Governo.

“E as horas de recolha [recolhimento obrigatório] começam as dez da noite as quatro da manhã. Não sei como é que os ginásios vão impor essas regras de distanciamento social e como vão manter o estabelecimento limpo”.

Com o nível dois, todas as classes irão regressar às aulas. “Mesmo as crianças vão começar no dia 24, na próxima semana segunda-feira…Vão todos à escola, da 12ª e da sétima classe”, lembra Bande.

Comportamento no trabalho

O luso-moçambicano Nilton Martins – que viu setor de engenharia regressar ao trabalho logo que foi decretado o nível quatro do estado de calamidade, a 14 de maio – defende que, com o novo nível, as medidas de proteção no trabalho não sofrerrão nenhuma alteração.

“Sabemos que a segunda onda do vírus está para vir pelo relaxamento. Então continuamos ainda com todas as medidas de prevenção. Continuamos ainda com o distanciamento social, o uso de máscaras, nas entradas fazemos o screening. Estamos ainda no mesmo nível de proteção que a gente já vinha a levar anteriormente”.

Refira-se que a Africa do Sul lançou um novo ensaio para testar uma eventual vacina contra a covid-19, desenvolvida pelo laboratório norte-americano Novavax. O produto será testado em paralelo à experiência da vacina da Universidade de Oxford, lançada em junho e que tornou o país no primeiro em Africa a participar em ensaios de potenciais vacinas contra a covid-19.

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