Cerca de 30 mil deslocados precisam de apoio urgente em Palma

Milhares de moçambicanos continuam escondidos no distrito de Palma e necessitam de assistência humanitária para os próximos 30 dias, diz Governo. Tanzânia repele deslocados na fronteira e ONU demonstra preocupação.

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de Moçambique anunciou que cerca de 30 mil pessoas que continuam escondidas no distrito de Palma precisam de apoio urgente para os próximos 30 dias.

A instituição necessita ainda de cerca de 41 milhões de meticais (o equivalente a pouco mais de 522 mil euros) para assistir as vítimas do ataque terrorista em Palma, ocorrido a 24 de março.

Segundo o diretor da Área de Prevenção e Mitigação do INGD, César Tembe, as vítimas dos ataques necessitam de imediato de alimentos, medicamentos e assistência médica e psicossocial.

Os cerca de 30 mil deslocados que abandonaram a vila, mas não saíram do distrito de Palma juntam-se a cerca de 6.500 pessoas que foram retiradas daquela zona para a capital da província de Cabo Delgado, Pemba.

A fuga em massa provocada pelos ataques de grupos armados à vila de Palma “incrementou” o número de deslocados gerados pela violência armada no norte e no centro do país. Dessa maneira, ao todo, 722 mil pessoas foram obrigadas a fugir de casa.

Na sexta-feira passada (02/04), a insegurança levou a Total a retirar todo o pessoal do projeto de gás em Moçambique, e o Programa Mundial da Alimentação (PMA) suspendeu os voos humanitários de evacuação. O ataque lançado a poucos quilómetros do mega-projeto de gás do grupo francês Total, na península de Afungi, foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Tanzânia repele deslocados

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) informou que a Tanzânia repeliu cerca de 600 deslocados moçambicanos, sobreviventes do ataque jihadista.

“Cerca de 600 moçambicanos à procura de asilo foram repelidos da Tanzânia”, afirmou em comunicado o ACNUR, manifestando “preocupação” em relação à sorte destas pessoas “reenviadas à força” para o seu país.

“O ACNUR está preocupado com relatos de famílias impedidas de buscar asilo e que estão a ser devolvidas à força pela Tanzânia”, declarou a agência da ONU num comunicado.

Ajuda internacional

Enquanto isso, a Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados moçambicanos apelou ao apoio de entidades públicas e privadas portuguesas ao Governo e população moçambicanas, devido à grave situação humanitária causada pelos ataques terroristas em Cabo Delgado.

“É fundamental, além da ajuda da comunidade internacional, que Portugal também reforce todo o tipo de apoio humanitário, alimentar e logístico ao povo moçambicano vítima destas violentas agressões, ajudando também com meios mais rápidos e eficazes o Governo moçambicano no controlo militar deste território e à estabilização da paz, na defesa dos direitos humanos e no respeito pela soberania de Moçambique”, refere aquela instituição.

O porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, disse esta segunda-feira (05/04) que a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) tem um papel importante no combate ao terrorismo regional, numa altura em que Moçambique está a ser particularmente afetado pelo fenómeno.

Para Dujarric, os ataques terroristas em Moçambique têm subido em “ousadia” e precisam de ser condenados repetidamente. Na quinta-feira (08/04), a troika de defesa da SADC vai reunir-se para discutir o conflito e insurgência em Cabo Delgadoe o impacto na região.

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