Cabo Delgado: “Não se deve marginalizar aqueles que têm experiências” diz Guebuza

É o que sugere Armando Guebuza. O ex-Presidente moçambicano defende que o país deve aproveitar em Cabo Delgado a experiência de quem combateu na luta de libertação e na guerra civil dos 16 anos, incluindo a oposição.

“É fundamental a exploração das capacidades instaladas ao longo destes anos todos, mesmo as da RENAMO [principal força de oposição em Moçambique]. Fizeram [a guerra civil] dos 16 anos, será que estamos a trabalhar com eles para encontrar soluções para este problema? Eu acho que não”, disse Armando Guebuza, num vídeo divulgado na sua página na rede social Facebook, esta sexta-feira (02.10).

Para o antigo chefe de Estado, o país não deve “marginalizar aqueles que têm experiências” nas estratégias para travar as incursões de grupos armados naquela província do norte de Moçambique.

“Por exemplo, nós temos, no Governo, pessoas que participaram da luta de libertação e até chegaram a oficiais. Será que estão a ser devidamente utilizados? Eu penso que não”, acrescentou Armando Guebuza.

Avaliação das forças de defesa

O antigo Presidente moçambicano considera ainda a situação da província “complicada”, defendendo uma avaliação das capacidades do comando das forças governamentais destacado para a região.

“Nós temos as nossas forças lá, a polícia e as Forças Armadas, [mas] temos de saber se o comando que elas têm, localmente, está em condições de garantir que se produza a paz. Aparentemente, até agora, há muitas dificuldades”, observou Guebuza, alertando ainda para o sofrimento das populações dos distritos afetados pela violência.

A província de Cabo Delgado é desde há três anos palco de ataques armados, alguns reivindicados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, mas cuja origem continua por esclarecer.  A violência provocou uma crise humanitária com mais de mil mortos e cerca de 365.000 deslocados internos.

A região deverá acolher nos próximos anos investimentos da ordem dos 50 mil milhões de dólares (42,6 mil milhões de euros) em gás natural, liderados pelas petrolíferas norte-americana Exxon Mobil e francesa Total (que já tem obras no terreno).

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