Biografia de Osvaldo Aranha

Osvaldo Aranha (1894-1960) foi um político, diplomata e advogado brasileiro, um dos nomes de maior destaque no cenário político brasileiro entre 1930 e 1954.

Osvaldo Euclides de Souza Aranha nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, no dia 15 de fevereiro de 1894. Foi aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro.

Em 1916 diplomou-se pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro. Nesse período, integrou os círculos oposicionistas. Após se formar, Aranha retornou para o Rio Grande do Sul para exercer a advocacia.

Em 1923, colocou-se de lado das forças situacionais gaúchas que combateu a insurreição deflagrada por setores que se opunham à quinta reeleição consecutiva de governador Borges de Medeiros.

Carreira política

Em 1925, Osvaldo Aranha foi nomeado por Borges de Medeiros, “prefeito de Alegrete”, tradicional reduto oposicionista. Dois anos depois, foi eleito “deputado federal” pelo partido Republicano.

No ano seguinte, renunciou ao mandato para assumir a Secretaria de Negócios Interiores do Rio Grande do Sul, no governo de Getúlio Vargas.

Revolução de 1930

Osvaldo Aranha foi um dos articuladores da Aliança Liberal, coligação que lançou a candidatura de Vargas, com apoio dos grupos dirigentes do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba.

Após a derrota de Vargas na eleição realizada em março de 1930, Osvaldo Aranha se destacou como um dos defensores de uma insurreição armada para depor Washington Luís e impedir a posse de Júlio Prestes, o candidato eleito.

O posicionamento radical de Osvaldo Aranha na Aliança Liberal em favor da ruptura armada com a ordem legal, o levou a ser procurado pelos tenentes interessados em viabilizar o seu antigo projeto de assumir o poder do país através de um movimento revolucionário.

Luís Carlos Preste foi convidado por Aranha para assumir a chefia da revolução, porém não aceitou alegando que se tratava de uma mera disputa entre oligarquias.

Aranha se demitiu da Secretaria de Negócios em protesto pela falta de empenho de Getúlio Vargas na preparação da insurreição. Em julho, o assassinato de João Pessoa acirrou ainda mais os ânimos para o início da insurreição, que foi deflagrada em outubro.

Osvaldo Aranha participou das operações militares em Porto Alegre. O sucesso do movimento levou à deposição de Washington Luís através de um golpe militar promovido pelas Forças Armadas do Rio de Janeiro, que assumiram o poder.

Em novembro de 1930, a junta militar entregou o poder a Getúlio Vargas, o chefe civil da rebelião. Aranha foi então nomeado para o Ministério da Justiça do governo provisório de Vargas. Desenvolveu trabalhos buscando interferir nas disputas estaduais principalmente em Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Ministro da Fazenda

Em 1931, Osvaldo Aranha foi transferido para o Ministério da Fazenda. Instituiu o chamado “esquema aranha”, que tinha como principal objetivo evitar o aumento da dívida externa brasileira.

O esquema consolidou a dívida, transferindo para a União a responsabilidade sobre os empréstimos contraídos pelos estados e municípios antes de 1930.

Entre novembro de 1932 a maio de 1933, Aranha fez parte da comissão encarregada de elaborar o anteprojeto constitucional, que serviu de base para os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte.

Embaixador

Após a promulgação da nova Constituinte, em julho de 1934, Osvaldo Aranha deixou o Ministério e passou a servir como embaixador do Brasil em Washington, onde permaneceu até 1937.

Em 10 de novembro de 1937, com a instalação do “Estado Novo”, Aranha manifestou seu desagrado com a postura ditatorial de Vargas, mas mesmo assim continuou colaborando com o governo.

Ministro das Relações Exteriores

No ano seguinte, foi nomeado Ministro das Relações Exteriores. Com o objetivo de ampliar a aproximação com os Estados Unidos, assinou importantes acordos comerciais. A ele se deve também, em grande parte, o ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados.

Em 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas foi deposto, sem luta, pelos generais Goes Monteiro e Eurico Gaspar Dutra, em decorrência de sua aproximação com os comunistas e a denúncia de um novo golpe para permanecer no poder.

Em fevereiro de 1947, Osvaldo Aranha foi nomeado chefe da delegação brasileira nas sessões da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Exerceu importante papel no episódio da criação do Estado de Israel. Nesse mesmo ano, foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz.

Últimos Anos

No segundo governo Vargas, Aranha voltou ao Ministério da Fazenda, em agosto de 1953. Nesse período, criou um plano, batizado com o seu nome, que visava estabilizar a moeda sem prejuízo ao desenvolvimento econômico, porém teve seu objetivo frustrado.

Após o suicídio de Vargas, Osvaldo Aranha passou a dedicar-se à advocacia. Em 1957, durante o governo de Juscelino Kubitscheck, voltou novamente à ONU como presidente da delegação do Brasil.

Osvaldo Aranha faleceu no Rio de Janeiro, no dia 27 de janeiro de 1960.

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Você pode gostar...

Deixe seu comentário