Baixas na Junta Militar da RENAMO? Tudo em ordem, diz Nhongo

Em pouco tempo, a autoproclamada “Junta Militar” da RENAMO sofreu duas baixas de peso. Mas o seu líder, Mariano Nhongo, não se mostra preocupado e diz que continua à espera de ser contactado pelo Governo para dialogar.

João Machava, antigo porta-voz da “Junta Militar”, deixou o grupo em novembro passado para aderir ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR). Pouco tempo depois, foi a vez do “número dois” da “Junta Militar” sair do grupo e entregar as armas. Paulo Filipe Nguirande disse na semana passada que estava farto de lutar e também vai integrar o processo de DDR.

Apesar destas duas baixas de peso, Mariano Nhongo, o líder da autoproclamada “Junta Militar” da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), não se mostra abalado.

“O Paulo foi meu elemento, eu promovi-o a general porque ele trabalhava bem. Já no fim ele pensou no dinheiro e abandonou”, comenta apenas, em entrevista à DW África.

Entretanto, Nhongo aproveita para rejeitar rumores que circularam nas redes sociais de que teria sido capturado. “Eu não fui capturado nem ferido. Eu estou saudável, estou vivo e ainda tenho energia. Se o Governo não quer negociar com a ‘Junta Militar’, vamos vamos vamos”, afirmou.

“Ato de entretenimento”

Há quase dois meses que não se ouve o som das armas nas províncias de Sofala e Manica – um alívio para os moçambicanos que anseiam pela paz efetiva no país. À DW África, Caifadine Manasse, porta-voz da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, no poder) diz que Mariano Nhongo deve parar o mais depressa possível com as “chantagens” e seguir o exemplo dos ex-combatentes João Machava e Paulo Filipe Nguirande.

“A Mariano Nhongo foi dada uma trégua com o Presidente da República. Mariano Nhongo está a brincar com a vida dos moçambicanos, a vida de Moçambique. Mariano Nhongo está a criar isto como ato de entretenimento. Nós achamos que Mariano Nhongo, querendo, [se deve entregar] às autoridades e [entregar] as armas como os outros estão a fazer”, diz Caifadine Manasse.

O porta-voz da FRELIMO sublinha que o país precisa de “paz e estabilidade”. Segundo Manasse, o contributo que Mariano Nhongo pode dar para alcançar esse objetivo é “sair das matas” e aderir ao processo de DDR.

Nhongo à espera de contacto do Governo

O líder da autoproclamada “Junta Militar” da RENAMO diz que aguarda o convite para negociações com o Executivo moçambicano e garante que “não se está a organizar para fazer guerra”.

“A ‘Junta Militar’ já paralisou as armas, está a aguardar o Governo abrir a porta para mandar os seus homens para a mesa de negociação. Só que o Governo é que está a continuar com a luta, perseguindo a ‘Junta Militar’ de avião”, insiste.

Suspeita-se que, desde que surgiu, em meados de 2019, a autoproclamada “Junta Militar” da RENAMO já matou cerca de 30 pessoas em ataques no centro de Moçambique. O grupo tem declinado sucessivos apelos ao diálogo, incluindo sob a mediação do enviado especial das Nações Unidas para a paz em Moçambique, Mirko Manzoni.

Em janeiro, o diplomata disse que ainda havia uma janela aberta para o diálogo entre o Presidente Filipe Nyusi e Mariano Nhongo. A DW África contactou Mirko Manzoni, mas não foi possível obter uma reação até ao fecho da reportagem.

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