“Avó” de João Ribeiro laureada Melhor Longa de Ficção em Cabo Verde

 “Avó” de João Ribeiro laureada Melhor Longa de Ficção em Cabo Verde

Filme de João Ribeiro é Melhor Longa de Ficção na sétima edição do Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, em Cabo Verde.

 

Este foi um ano adverso para o filme Avó Dezanove e o segredo do soviético, que teve a sua estreia internacional e nacional há mais ou menos sete meses. Não podendo estar em sala, devido ao encerramento dos cinemas, poucos o puderam ver e própria promoção da ficção moçambicana ficou “comprometida”. Ainda assim, neste finalzinho de ano, João Ribeiro recebeu uma boa notícia, domingo à noite, afinal o seu filme foi laureado Melhor Longa de Ficção na sétima edição do Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, capital cabo-verdiana.

Referindo-se à distinção, o realizador afirmou que “é sempre bom quando um filme recebe um prémio, independentemente do tipo de festival e de onde se realiza. É sempre um reconhecimento pelo nosso trabalho. Por isso, é um prazer receber o prémio”, sobretudo num ano difícil como tem sido este 2020. E sublinhou: “os filmes são feitos para as salas e os festivais mudaram muito a sua dinâmica. Há uma diferença na apresentação dos conteúdos e tem sido um bocado mais difícil para a vida do filme. Esperamos que para o ano a coisa mude e que o filme possa voltar às salas e continuar a fazer os seus circuitos de festivais”.

A distinção de Avó Dezanove e o segredo do soviético é, para João Ribeiro, uma excelente notícia porque, assim, as pessoas interessam-se mais. “Isso é bom para a arte e para o cinema moçambicano, que nós fazemos tão poucos filmes”. De igual modo, o realizador explicou que os festivais de cinema andam emparelhados, de modo que, quando um filme é premiado num determinado evento, consegue argumentos para ver aumentar a sua visibilidade em eventos cinematográficos dentro e fora do país.

Mesmo devido às condicionantes causadas pela COVID-19, João Ribeiro ainda não tem data para colocar a sua longa-metragem nas salas comerciais, pois isso não depende (apenas) do produtor do filme, mas dos que o exibem. “Nós temos pouca força nesse sentido. Os proprietários das salas de cinema é que têm de se aproximar aos produtores e adquirirem os seus filmes. Obviamente que nós também fazemos a nossa parte, inclusive falando com eles. Mas a última palavra é sempre de quem tem a sala”.

Enquanto as salas comerciais não recebem Avó Dezanove e o segredo do soviético, o público tem algumas oportunidades de ver o filme no Centro Cultural Franco-Moçambicano, na cidade de Maputo. Primeiro, às 10h30 do próximo sábado, numa sessão gratuita para crianças. Já os mais velhos poderão ver o filme em duas sessões cobráveis marcadas para as 18 horas de segunda-feira e terça-feira. Sobre levar o filme às pessoas, recorrendo ao espaço de um centro cultural, Ribeiro esclareceu: “o nosso cinema não está à procura de receitas, mas de contar uma história. Cinema em África tem a sua forma de estar, a sua dinâmica e forma de ser”.

No entendimento de João Ribeiro, os prémios podem ajudar a conseguir mais apoio do sector público e privado no país, porque chamam atenção. “Quando se ganha um prémio, há sempre um movimento à volta disso e esse movimento pode ser aproveitado nesse sentido. Se um trabalho é premiado, as entidades que o apoiam também se sentem reconhecidas”.

No Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, em Cabo Verde, foram distinguidos mais filmes, entre os quais Mia Couto: sou autor do meu nome, de Solveig Nordlund (Portugal), Prémio Especial do Júri. Igualmente, o evento cabo-verdiano reconheceu Luís Humberto: o olhar possível, de Mariana Costa e Rafael Lobo (Brasil), Prémio Melhor Curta Documentário; Neguinho/Blackie, de Marçal Vianna (Brasil), Prémio Melhor Curta Ficção; e Manuel D’Novas – coração de poeta, de Neu Lopes (Cabo Verde), Prémio Melhor Longa Documental.

O júri do festival foi constituído por Pedro José-Marcellino, Suely Neves e Patrícia Silva.

O Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia é um evento realizado anualmente na capital cabo-verdiana, em finais de Novembro. O mesmo pretende promover o cinema local, regional e dos PALOP, democratizando o acesso ao cinema, com sessões públicas nos diferentes bairros da Praia.

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Bonk Pedro

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