APOSTA NO MARKETING PODE DESPERTAR INTERESSE NAS MARCAS NACIONAIS

Especialistas defendem a necessidade de um forte investimento na inovação e marketing para despertar o interesse nas marcas nacionais.

 

Moçambique dispõe de políticas públicas para promoção das marcas nacionais, mas a internacionalização ainda é um desafio, num mercado global cada vez mais exigente no que toca a inovação e qualidade dos produtos colocadas à venda.

É neste contexto da globalização, que a directora de Marketing da Delta Cafés, Sandra Veludo, partilhou a experiência desta marca portuguesa rumo a internacionalização, tendo destacado as valências do mercado moçambicano.

A especialista, que participava via plataforma digital num dos painéis da segunda edição da MOZGROW, a partir de Portugal, disse que o mercado moçambicano é “acolhedor” e dispõe de produtos de qualidade.

“Por se tratar de uma marca global, a Delta Cafés teve que se adaptar a realidade local, mas sem desvirtuar a essência da marca”, apontou Sandra Veludo.

Já o director-geral da Good Trade, Diogo Lucas, indicou que os produtores moçambicanos devem estar atentos à dinâmica do mercado global, pois há qualidade nos produtos nacionais, mas falta uma aposta forte na promoção das marcas.

“É preciso apostar mais na publicidade para despertar o interesse nas nossas marcas. Trabalhar para que as nossas marcas tenham mais visibilidade e consistência”, argumentou Diogo Lucas.

Com as tendências do mercado a colocarem a marca como o elo de ligação entre o produtor e o cliente, Emídio Rafael, representante do Instituto de Propriedade Industrial indicou que a instituição está a abraçar uma série de iniciativas inovadoras. O cabrito de Tete é um dos exemplos no que toca a promoção de marca local.

“Neste momento, o cabrito de Tete é uma indicação geográfica…a primeira moçambicana já registada (no Instituto de Propriedade Industrial). O que nós fizemos foi trabalhar com os próprios criadores de cabrito e todos intervenientes da cadeia de produção para estabelecer uma associação. Desenvolvemos com a própria associação, um caderno de especificações do produto”, explicou o representante do Instituto de Propriedade Industrial.

O referido caderno das especificações indica as condições de pastagem do cabrito, suplemento, transporte para o matadouro, processamento e embalagem. No próximo mês (Novembro), o Instituto de Propriedade Industrial vai proceder com o lançamento do teste comercial do cabrito de Tete.

Entretanto, a promoção das marcas nacionais estende-se para outros produtos e regiões, segundo deu a conhecer Emídio Rafael.

O Instituto de Propriedade Industrial está igualmente, a trabalhar no arroz produzido na Zambézia, café de Gorongosa, Ibo e Niassa.

“É uma pluralidade de produtos nacionais com grande potencialidade de conquistar o mercado nacional e internacional. No entanto, é preciso que os produtores entendam que o uso da propriedade industrial para agregar valores a esses produtos é fundamental”, anotou Emídio Rafael.

O trio dos oradores da segunda edição da MOZGROW debateram ainda, o uso de agrotóxicos na agricultura, numa altura em que o mundo recua desta prática por questões climáticas.

Estima-se, que em Moçambique, apenas 5% dos agricultores recorrem a diversos químicos no processo de produção agrícola, como forma de aumentar os níveis de produtividade.

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